A instalação em rede de Roberto Cabot utiliza a infra-estrutura já
presente e de extensão global
constituída pela rede de câmeras conectadas à Internet através do mundo com possibilidade
técnica
de produzir e significar imagens.
A World Wide Web desenvolveu nos últimos anos uma rede de câmeras que em grande parte permanecem
ininterruptamente
online. São milhões de olhos, que formam um olho multifacetado semelhante ao órgão de um inseto,
que estabelece uma nova forma de observação, e além, uma nova visão do mundo.
Entre as imagens ao vivo, também se inserem textos, projeções mentais que dialogam com
as imagens captadas pelas câmeras e projetadas.

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As características desta estrutura, ainda em desenvolvimento e totalmente
independente de um plano mestre ou de uma autoridade centralizada, altera mais uma vez a nossa relação às
imagens e mesmo a própria essência do que chamamos "imagem".
As outras mídias também são afetadas por esse desenvolvimento, como por exemplo a
televisão que perdeu definitivamente o monopólio da difusão de imagens ao vivo, sendo que é superada de
longe em velocidade pelo Webcast (difusão de conteúdo vídeo pela Internet).
Para a exposição "Trópicos", Cabot criou um painel
projetado com imagens originadas por diferentes câmeras de diferentes cidades situadas nos
ditos "trópicos", projetado em grandes dimensões no espaço. Cada quadro do painel é
uma transmissão ao vivode uma dessas cidades. Essas transmissões vêm em parte de câmeras
disponíveis ao público na internet e de câmeras que instaladas em colaboração
com o artista em diversos lugares, como o instituto Goethe de Singapura. Entre essas imagens encontram-se algumas que
contradizem a concepção habitual de trópicos.
É muito diferente produzir arte com imagens já disponíveis do que trabalhar com imagens
ao vivo que não são nem editadas nem controladas.
Roberto Cabot escreveu um dos textos do catálogo, intitulado
"Da banana ao TotalFlex". |
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