Roberto Cabot é premiado pela alemã
Kunst Fonds
Gilberto de Abreu
Imagem da instalação
em cartaz no CCBB revelam a versatilidade do artista
O pintor carioca Roberto
Cabot, 40 anos, está rindo à toa. Ele acaba de receber da renomada Fundação
Kunst Fonds, na Alemanha, um prêmio em reconhecimento ao conjunto de sua obra.
Formado em pintura clássica pela Escola Nacional Superior de Belas Artes de
Paris, Cabot engorda em US$ 26 mil a sua conta bancária e sagra-se como o
primeiro brasileiro a figurar entre os vencedores do prêmio que, em edições
anteriores, contemplou figurões da cena contemporânea mundial como Eva Borski
e Frank Thiel.
Um artista com pouca visibilidade no Brasil, Roberto Cabot credita o prêmio
aos 11 anos em que residiu e expôs na Europa.
- O prêmio é uma consequência natural da internacionalização do meu trabalho.
Se eu morasse no Brasil, é provável que não o recebesse. Mas, em pouco mais
de uma década já fiz quatro exposições individuais e uma pancada de
coletivas - diz ele, que foi selecionado por Alfons Hug para a exposição coletiva
Carnaval, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil até 28 de março.
A formação clássica em pintura não é motivo para que Roberto Cabot se limite
a trabalhar com telas, tintas e pincéis. Para a mostra do CCBB, por exemplo,
o artista preparou uma videoinstalação.
- Não costumo dividir meu trabalho nesse ou naquele estilo. Vejo-o como um
todo. De acordo com a idéia que quero explorar, opto por uma linguagem ou
outra - explica o artista, que começou a investigar a linguagem do vídeo há
sete anos, e há dois dividiu a opinião do público ao levar para a 25ª Bienal
Internacional de São Paulo um trabalho que nem todo mundo entendeu - ou gostou.
O próprio Roberto desdenha da obra polêmica, referindo-se a ela como ''uma
gororoba muito estranha na parede do salão''.
- Era uma grande pintura mural, interpretável apenas com auxílio de um computador
conectado à internet - lembra. Depois de processada em computador, a tal ''gororoba''
faz mais sentido: revela um batalhão de choque, tendo à frente o espectador
na condição de vítima de um improvável massacre digital.
- Foi um trabalho complexo, e para muitos de difícil digestão -, desconversa.
O artista, que ontem embarcou para a Alemanha, estará de volta ao Brasil no
segundo semestre, para a abertura de uma nova exposição, desta vez na Galeria
Lurixs, do carioca Ricardo Rego. Programada para o final de julho, a individual
será composta de seis telas inéditas inspiradas nos meta-esquemas de Hélio
Oiticica.
Dividido entre a pintura e as videoinstalações, Roberto Cabot reconhece que
é a essência de pintor clássico que direciona o seu processo criativo.
- Embora sejam linguagens bastante diferentes, reparo que a metódica da pintura
determina alguns aspectos das videoinstalações - observa o artista, que também
cursou arquitetura na UFRJ.
Na exposição do CCBB, Cabot lançou mão da arquitetura para resolver a obra,
composta de espelhos e imagens hiperampliadas projetadas nas paredes e por
eles refletidas.
- Com ajuda do espelho, promovo uma espécie de multiplicação e fragmentação
do vídeo, uma abstração da projeção - explica. Apesar dos contornos barrocos
do carnaval, representado por destaques femininos em carros alegóricos, a
imagem final é quase geométrica e neoconcreta. Como são, aliás, as telas que
a Galeria Lurixs vai exibir.
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